Home Data de criação : 09/04/24 Última atualização : 09/09/11 06:16 / 17 Artigos publicados

[ESPECIAL DUPLO] 5000 visitas e Comemoração ao Resultado do SIC da PUCRS  (Editorial) escrito em sexta 11 setembro 2009 06:16

OSU!

Pessoal, divido com vocês a alegria de ter sido contemplado como pesquisador destaque da área da saúde (que engloba além da Educação Física, cursos como Medicina, Fisioterapia, Enfermagem e outros) no X Salão de Iniciação Científica da PUCRS. Estive divulgando no evento uma de minhas pesquisas que é também meu trabalho de conclusão de curso. O prêmio conquistado era o maior do evento e na área mais concorrida, com maior número de trabalhos inscritos. Esta pesquisa, intitulada: 'OS REIS DA LUTA: Representações do Karate nos Jogos Digitais' obteve notas máximas em todos os quesitos de avaliação e o desempate na pontuação do currículo Lattes acabou favorecendo este seu redator.

Trago aqui alguns dos resultados desta pesquisa, para informação de todos, de forma resumida e simples, apenas para divulgar este estudo que em breve estará a disposição. O trabalho foi desenvolvido no Núcleo de Estudos em Memória e História do Esporte do Centro de Estudos Olímpicos da ESEF UFRGS, agradeço também o apoio dos membros e a orientação da Profa. Dra. Janice Mazo.

 

OS REIS DA LUTA - Representações do Karate nos Jogos Digitais

O Karate é freqüente tema de Jogos Digitais. O objetivo deste estudo foi identificar as simbologias da cultura oriental utilizadas para a construção dos elementos gráficos de 80 jogos digitais cuja temática estava ligada ao Karate-Do.

 

1) Influências religiosas

Budismo: A concepção de corpo de personagens da série Street Fighter foi baseada na imagem corporal emergente dos protetores Nio, ou Nio-Zo. Os Nio-Zo eram figuras de madeira que representavam budokas terríveis colocados na entrada dos templos no Japão para assustar os populares e ajudar a forçar a aceitação da nova religião no período feudal. A figura do Nio-Zo é lembrada por diversos mestres de Karate, entre eles Gichin Funakoshi e Masutatsu Oyama.

Xintoísmo: Inspirou a máscara dos personagens Mr. Karate (Takuma ou Ryo Sakazaki), na série Art of Fighting, e Go Hibiki, na série Street Fighter, através da representação do Yamabushi Tengu. O Tengu era uma entidade folclórica do Xintoísmo, caracterizado pela pele avermelhada e o longo nariz (para falar apenas das características da face).

 

2) Psicodinâmica das Cores e Semiótica

Há toda uma preocupação de uso de combinações de cores para se obter um maior apelo nas capas e splash screens dos jogos analisados, com predominância da combinação vermelho-azul. Outro traço interessante foi o uso das cores das bandeiras dos países de origem de vários personagens para colorir os Karate-gi.

 

3) Vestuário

Os diferentes personagens aparecem representados com os uniformes característicos dos estilos que representam, havendo elementos do estilo Shotokan na maioria dos personagens de Street Fighter e do estilo Kyokushinkaikan nos personagens da série Art of Fighting.

 

4) Expressão de personalidade

Há dois fatores curiosos nessa categoria de análise. Num primeiro momento, quando as empresas japonesas desenvolvedoras dos jogos passam a buscar uma inserção os seus títulos no mercado americano, há modificações nos estilos de arte. Os personagens passam a ter feições ocidentalizadas, mais apelativas para o novo mercado. Após este período o que ocorre são as representações que evoca imagens de mestres importantes, onde se desenhou os corpos e feições de personagens dos Jogos Digitais com as características de pessoas como Gichin Funakoshi, Choki Motobu, Gogen Yamaguchi e Masutatsu Oyama.

 

5) Estilo de Desenho

Dependendo do público alvo do jogo, o uso doestilo de arte foi adequado, aparecendo então os estilos boneco (traços simples, voltado ao público infantil), intermédiário (traços de média complexidade, voltado ao público adolescente) e acadêmico (traços realistas, voltado ao público adulto).

 

6) Estilo de Karate

A análise das animações das técnicas dos personagens revelou a representação de golpes característicos de movimentos dos kata de estilos como Shotokan, Goju-ryu, Wado-ryu e Kyokushinkaikan.

 

7) Ocorrência do personagem karateka nas capas dos Jogos Digitais

Dentre os 80 jogos analisados, foram identificadas a presença em representação solo ou principal em 73% das mídias, o que revelou a importância da imagem do praticante (digital) da arte.

 

O estudo teve como produto uma monografia com mais de 180 páginas, que será transformada em três artigos.

 

OSU!

Tiago Frosi

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Karate - mais uma vez fora das Olimpíadas  (Editorial) escrito em quarta 19 agosto 2009 04:22

OSU!

É pessoal, os representantes dos CON que participavam em votação para escolha de duas novas modalidades acabaram não optando pelo Karate mais uma vez. O Karate iniciou bem, mas a cada rodada de votação foi perdendo pontos e acabou atrás do Rugby e do Golfe (!!!).


Independente de mais esta peculiaridade do mundo dos 'Anéis' cabe lembrar que o Karate continua sendo:


1) "A arte marcial mais praticada no mundo, com 50 milhões de praticantes em 2008".

Jason Chambers em 'Human Weapon' para o History Channel.

2) "O estilo que conquistou o mundo do MMA (literalmente) com nosso grande Lyoto Machida."

Danna White, presidente do UFC

3) "A arte marcial que mais detona nos Games -quem tira o Ryu das capas dos jogos de luta?-"

Resultado do meu TCC em 'Educação Física e Mídia'

4) Um ótimo tema de filmes.

Como bem mostrado na obra prima 'Kuro Obi' e nos vários filmes do Jean Claude Van Damme.

E tá bem... até na série Karate-Kid.

5) "Uma das práticas corporais mais completas que exige domínio sobre cada parte do corpo e sobre praticamente todas as habilidades motoras, exigindo também o desenvolvimento fisiológico dos aspectos da força, capacidade aeróbica e anaeróbica".

David Nunan - fisiologista inglês

6) "Um dos maiores fenômenos culturais do planeta, que como prática corporal se apresenta como manifestação de Caminho de autoconhecimento, de modalidade esportiva de espetáculo, de lazer ,e até esporte da escola em muitos locais; de técnica de defesa pessoal, luta de contato e fundamentalmente: de um dos maiores veículos de disseminação da cultura e tradição oriental no mundo".

Linha de Estudo do 'Karate Science'

 

Se você se desanimou com o título deste artigo, repense os fatos. Ler algumas obras de autores bem conhecidos como "Os Senhores dos Anéis" também ajuda a entender que ter o status de 'Esporte Olímpico' não é tudo isso...

OSU!

Tiago Frosi

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[ESPECIAL] Shorin e Shorei - a herança chinesa  (História) escrito em terça 18 agosto 2009 04:10

OSU!

Buenas pessoal, vamos aproveitar para comemorar as 3500 visitas ao blog com um artigo especial sobre a herança das artes marciais chinesas na construção do Karate. Tive a oportunidade de conversar e treinar com diversas pessoas, hoje valorosos amigos, praticantes de artes de origem chinesa, o que ajudou a compreender melhor o que lia nos livros e não fazer uma salada com os termos Wushu, Kung-FuKenpo, Quan Fa etc. Ainda abordaremos isto se for importante, mas por enquanto vamos falar da herança dessa cultura guerreira da China dentro do Karate: os aspectos internos e externos.


Shorin-Kan

Na China desenvolveram-se duas formas de praticar formas de luta organizadas. A mais antiga, remete a um jogo sangrento chamado Go-Ti, criado por um igualmente sangrento ‘senhor da guerra’ chamado Chi-yu há cerca de 2600 anos. Militarmente, a origem da organização guerreira para proteção dos castelos, fortificações, templos e para expansão militar remete às ações do Imperador de Huan Ti (o famoso Imperador Amarelo, que reinou entre 140 e 87 a.C.). Neste período foi formada uma classe guerreira na China que praticava manobras em massa e técnicas de luta com lanças e bastões. Séculos depois, por volta de 520 d.C. Surge o monge indiano Ta Mo Lao Tsu, que vindo da China, estabeleceu-se no Mosteiro Songshan Shaolin, na província de Wei. Conta a lenda que este monge, então chamado Bodhidharma, teria introduzido diversos exercícios respiratórios e corporais (semelhantes à Yoga) além das tradições do Budismo. Com isto, Bodhidarma (ou Bodai Daruma, em japonês) foi duplamente importante para as artes marciais, pois teria fundado não apenas o estilo de luta de Shaolin como também seria o primeiro patriarca do Zen Budismo.
Tendo as técnicas de Bodhidharma evoluído para os estilos externos (ou duros), saindo do Shaolin primordial para tantos outros como Wing Tsun, Hung Gar e as versões modernas de Shaolin, também esta escola foi exportada para Okinawa, onde passou a ser conhecida como Shorin-kan. Ou seja, Shorin no Karate-Do são as manifestações da união dos estilos externos do Wushu Chinês ao Te de Okinawa. Desta fusão procedem as técnicas predominantes em estilos oriundos do Shuri-Te.


Shorei-Kan

Com o advento da filosofia Taoísta na China, especialmente através da obra de Lao Tzu, desenvolveu-se uma forma diferente de ver o mundo. Esta visão baseava-se na compreensão dos aspectos Yin (suave, feminino, negativo, ondulatório) e Yang (duro, masculino, positivo, partícula) da energia C’hi (Ki em japonês) e suas manifestações na realidade. O objetivo dessas práticas era essencialmente descobrir o lugar do homem no Universo e a pureza original do ser humano. A partir do empenho de diversos mestres eremitas que vagavam pelo ‘país do meio’ desde aproximadamente 300 d.C. divulgando o Tao Te Ching, foram estruturadas e desenvolvidas as artes suaves da China.
Tendo essas técnicas evoluído para os estilos internos (ou suaves), desenvolveram-se estilos como Hsing-I, Pakua, Noi Kun e Taichi Chuan, que exportados para Okinawa, passaram a ser conhecidos como Shorei-kan. Ou seja, Shorei no Karate-Do são as manifestações da união dos estilos internos do Wushu Chinês ao Te de Okinawa. Desta fusão procedem as técnicas predominantes em estilos oriundos do Naha-Te.

Em seu livro ‘Karate-Do Nyumon’ o mestre Gichin Funakoshi chama atenção para o fato de que se deve cultivar equilibradamente os aspectos Shorin e Shorei da arte. Será que o fazemos?

OSU!

Tiago Frosi

Referências:

CAMPS, H.; CEREZO, S. Estudio técnico comparado de los Katas de Karate. Barcelona: Editorial Alas, 2005.

FUNAKOSHI, G. Karatê-Do Nyumon: Texto Introdutório do Mestre. São Paulo: Cultrix, 1999.

GONELLA, R. Do: Viaggio Attraverso il Karate alla Ricerca dell’antico To-De. S/L, 2003.

MINICK, Michael. O Pensamento Kung-Fu. São Paulo: Artenova, 1974.

PARKER, E. Segredos do Karatê Chinês. Rio de Janeiro, Distribuidora Record de Serviços de Imprensa S.A., 1963.

REID, H.; CROUCHER, M. O caminho do guerreiro: o paradoxo das artes marciais. São Paulo: Cultrix, 2004.

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Simbologias Alegóricas no Reigi [UPDATED]  (Etiqueta) escrito em quinta 13 agosto 2009 06:10

OSU!

Bem pessoal, vamos encerrando hoje nossa série de posts sobre o reigi, a etiqueta do Karate-Do. Há alguns aspectos que não abordaremos por serem mais interessantes ao longo de outras análises, mas fecho hoje com uma abordagem de aspectos culturais sobre dois gestos usados no Karate, oriundos de contextos históricos não menos interessantes. Boa leitura!


Ritsu-rei

Certa vez um aluno me questionou: ‘Sensei, porque fazemos essa saudação estranha e simplesmente não damos a mão?’ Talvez a maioria dos professores fosse responder (como acabei fazendo): ‘Ah, isso é costume de japonês.’ Mas não é bem por aí, esse movimento característico surgiu no Japão apenas depois de 1200 d.C., com a solidificação de uma classe social chamada Buke. O Buke era formado pelos Bushi (os guerreiros).  Após diversos acontecimentos importantes (um processo que levou alguns séculos) esta classe guerreira tornou-se de longe a mais poderosa do país, tendo inclusive direitos assegurados pela lei como o de matar qualquer um que desrespeitasse um de seus membros. Até aí tudo bem, todos sabemos que os “samurai” (termo oriundo da expressão hira-zamourai que surgiu muito depois de Bushi e não era muito usado) controlavam o Japão, então você pode perguntar: ‘o que isso tem a ver com etiqueta?’ Tudo pequeno gafanhoto! Devido a esse poder ameaçador, garantido por lei, todas as pessoas de outras classes deviam prostrar-se perante um Bushi, fazendo exatamente o mesmo gesto que fazemos até hoje numa sessão de treinamento ou competição de arte marcial japonesa. A flexão de coluna à frente, acompanhada por um olhar de recolhimento, era a forma que os populares tinham de dizer ao guerreiro: ‘Confio-lhe minha vida, portanto se desejares decapita minha cabeça.’ E ai de quem não se prostrasse diante de um guerreiro que tinha conseguido uma lâmina nova e estava louco para testá-la...
Ritsu-rei é, portanto, uma alegoria que nos remete à repressão dos samurai (ou melhor, dos Bushi, membros do Buke) à população, em especial aos heimin (camponeses).


Jion, Ji'in, Jitte, Chinte

Uma importante simbologia dentro dos Kata Jion, Ji'in, Jitte e Chinte é oriunda de seu gesto técnico de abertura e finalização. Esse gesto, onde uma mão fechada é coberta pela outra mão, remete a um cumprimento chinês, que representava na antiguidade ‘respeito aos sábios e aos homens das artes marciais’, onde a mão cerrada simbolizava os guerreiros e a mão aberta, que a cobria, os sábios. Com a ascensão do Império Ming (1368 d.C. a 1644 d.C., período em que Okinawa era um Estado vassalo a esse Império), esse gesto mudou de significado. A partir de então, a mão curvada representava o dia e a mão cerrada representava a Lua, os símbolos usados no ideograma para Ming. A ascensão da dinastia Ming foi importante para a China, pois representou o fim da dinastia Yuan, através da qual os mongóis governavam o ‘país do meio’. Vale lembrar que foi exatamente no período desta dinastia que militares como Kung Sian Chun (Kushanku) estiveram em Okinawa nos Sapposhi, ensinando artes marciais. Entendemos, portanto, que esse gesto é mais uma alegoria que corrobora para percebermos a grande influência do Quan Fa chinês no desenvolvimento do Karate-Do, pois um gesto da etiqueta das artes marciais chinesas ainda está presente nos Kata de Karate, mesmo após um longo processo de ‘niponização’ da arte.


Referências (para a série de posts sobre reigi)

BÜLL, Wagner J. Aikidô - o Caminho da Sabedoria. São Paulo: DAG Gráfica e Editorial Ltda., 1988. 1ª edição.

CAMPS, H.; CEREZO, S. Estudio técnico comparado de los Katas de Karate. Barcelona: Editorial Alas, 2005.

CRAIG, D. M.. A Arte do Kendô e do Kenjitsu: a alma do Samurai. São Paulo: Madras, 2005.

FUNAKOSHI, G. Karatê-Do Nyumon: Texto Introdutório do Mestre. São Paulo: Cultrix, 1999.

FUNAKOSHI, G. Karatê-Do Kyohan: The Master Text. Tóquio: Kodansha International, 1973.

GOULART, J. Portal Judô Fórum. Disponível em: <http://judoforum.com/blog/joseverson/>, acessado em 15 jul 2009.

JKF, Japan Karate-do Federation. Karate-Do Kata Kyohan Shitei Kata: Kata Model for Teaching. Tóquio: Japan Karate-do Federation, 2008.

LOWE, B. Mas Oyama’s Karate: Cómo se enseña em El Japón. Buenos Aires: Editorial Glem S.A., 1967.

NAKAYAMA, M. O Melhor do Karatê: Visão Abrangente - Práticas. São Paulo: Cultrix, 2000. V. 1, 11 v.

PARKER, E. Segredos do Karatê Chinês. Rio de Janeiro, Distribuidora Record de Serviços de Imprensa S.A., 1963.

RATTI, O.; WESTBROOK, A. Segredos dos Samurais: As Artes Marciais do Japão Feudal. São Paulo: Madras, 2006.

REID, H.; CROUCHER, M. O caminho do guerreiro: o paradoxo das artes marciais. São Paulo: Cultrix, 2004.

SEBA, José A. Oliva. Artes Marciais: Curso Prático. Penha: Editora Século Futuro, 1986.

STEVENS, J. (Org.). Segredos do Budô. São Paulo: Editora Cultrix, 2001.



Próxima semana: “Nova Ciência: há um lugar para o Karate-Do?”

OSU!

Tiago Frosi

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Reigi - Seiza  (Etiqueta) escrito em sábado 01 agosto 2009 13:12

OSU!

Bom pessoal, seguimos falando dos procedimentos formais para etiqueta no Dojo, esta semana as saudações e exercícios na posição sentado, ou seiza. Boa leitura.

 

Sa-za-u-ki (forma correta de sentar e levantar)

No Karate, como em outras artes marciais japonesas, o modo correto de sentar e levantar são muito importantes, fazendo parte do ritual de início e término dos treinamentos. É um conhecimento que demonstra não apenas o respeito pelas tradições e pelos colegas, mas também o refinamento da etiqueta pessoal, junto de todos os outros cuidados já citados que vem sendo cultivado desde o período dos primeiros guerreiros do Japão.

Para sentar, o pé esquerdo é levado atrás, colocando-se primeiro o joelho esquerdo no chão. Depois disso o joelho direito repousa no solo, e se senta sobre os calcanhares, com as pontas dos dedos hálux se tocando.

Os homens devem sentar com os joelhos afastados, repousando as palmas das mãos sobre as coxas, com as pontas dos dedos para dentro.
As mulheres, por sua vez, posicionam os joelhos de forma que os mesmos se toquem e apontem para frente, repousando as mãos sobre os joelhos com as pontas dos dedos para frente.

Para levantar, o joelho direito é erguido antes e no movimento de levantar é que o joelho esquerdo é erguido e o pé alinhado com o direito. Deve-se passar da posição seiza (sentado), diretamente à posição de ritsu-rei (em musubi dachi) para realização das últimas reverências.

 

Cumprimento Inicial: sentado – Za-rei
(pronúncia: dzá-rê)

Para iniciar o ritual de saudação, após o alinhamento dos alunos, o professor comandará ‘Seiza’! (sentar-se).

1 – Kamiza – o local à fente do Shomen (onde fica o retrato do fundador ou outros adornos). É o lugar onde o professor (sensei) se coloca.
2 – Shimoza – o local onde os alunos com graduação kyu (mudansha) perfilam em ordem de faixas.
3 – Joseki – é o local onde os alunos yudansha (faixas pretas) ou alunos adiantados se sentam.
4 – Shimozeki – é a extremidade contrária ao Joseki, onde os alunos mais novos devem estar.

Da mesma forma que no cumprimento em pé (ritsu-rei), quando o za-rei é realizado, são pronunciados os mesmo comandos: Shomen-ni-rei (saudação ao fundador ou ao público), Sensei-ni-rei (saudação ao professor) e Otagai-ni-rei (saudação entre os colegas). A primeira flexão é feita em silêncio e as outras duas são seguidas da verbalização ‘OSU’!

Após a realização do ritual, o professor comanda ‘Kiritsu’! (levantar-se). Depois de todos os alunos porem-se em pé, é feita uma última vez uma saudação ritsu-rei.

 

Zazen e Mokuso

Mokuso é o comando para a prática de meditação/internalização no Karate. Geralmente realizado junto ao ritual de início e término da sessão de treinamento, é o momento onde se reflete sobre as ações antes do treinamento (o dia-a-dia) e dentro do treinamento (keiko). É um exercício deveras importante para acalmar o corpo e prepará-lo para iniciar uma nova prática. Numa prática mais ostensiva da meditação, o seu real objetivo pode ser alcançado, e este é o estado mental chamado Mushin (mente liberta).
A prática deve ser realizada de forma que busquemos esvaziar a mente de pensamentos, (mesmo que isso seja difícil, o objetivo maior leva a sucesso em tarefas não menos importantes) de imagens ou sons que circulem pela mente. No início deve-se colocar no ponto de vista do observador (como se fôssemos realmente um observador externo, como se assistíssemos a um programa de televisão),  percebendo a gama de pensamentos que viajam pela mente. Com o tempo, após reconhecer estes pensamentos devemos procurar 'deletar' aqueles que percebemos inadequados, mantendo apenas os que servem para a tarefa a ser realizada a seguir. Apesar de estarmos tratando de Karate-Do, e por isso mesmo no momento em que nos propomos a meditar no início dos treinamentos buscamos preservar apenas os pensamentos relativos aos exercícios que praticaremos, não é menos importante 'limpar' a mente de pensamentos inadequados em qualquer tarefa do dia que estivermos realizando. É esta falta de habilidade em nos concentrarmos e focalizarmos nossa atenção apenas no que é importante que diversas pessoas sofrem de 'transtornos e atenção' e vários outros 'males' da 'vida moderna'.

Além disso, o ibuki (respiração) adequado é necessário. Assim, emprega-se em geral uma regra para aprender o ritmo que depois torna-se natural. Neste ritmo, inspira-se pelas narinas por quatro segundos, segura-se o ar por um segundo e expira-se pela boca por mais quatro, mantendo-se mais um segundo ‘esvaziado’. Pessoas com mais prática chegam a ficar até 10 segundos (às vezes mais) realizando as fases de expiração/inspiração, devido a seu elevado poder de ventilação pulmonar.
Durante a prática, a atenção deve se voltar para o fluxo de energia no hara (abdômen), e a postura deve ser a mais harmônica possível.

 

Semana que vem: simbologias alegóricas no reigi [parte final]

OSU!

Tiago Frosi

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