Home Data de criação : 09/04/24 Última atualização : 09/09/11 06:16 / 17 Artigos publicados
 

Karate-Do: O 'Estado Atual' e a faceta Olímpica  (História) escrito em sábado 20 junho 2009 15:37

OSU!

Bom pessoal, depois de um longo período sem postar nada, devido ao turbilhão de final de semestre aqui na UFRGS, retomamos o trabalho no Karate Science. Vamos falar hoje sobre os últimos anos de Karate pelo mundo e indicar algumas leituras interessantes sobre o Karate no Brasil, deixem seus comentários no final do tópico!

Na década de 1990 muitas mudanças tomaram o campo organizacional do Karate-Do como esporte, sendo que até 1996 haviam duas federações internacionais, a União Mundial das Organizações de Karate (W.U.K.O) e a Federação Internacional de Karate Tradicional (ITKF), com poder e representatividade equiparadas. Isto trazia problemas para que esta prática esportiva fosse reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) como esporte olímpico, o que repercutia também nos países no que diz respeito à difusão do Karate. Com a fusão da W.U.K.O. e da ITKF, surge em 1996 a Federação Mundial de Karate (WKF), favorecendo, então, o reconhecimento do Karate pelo COI, que aconteceria em 1999.

A partir desta influência do COI sobre o Karate, começaram a ocorrer diversas mudanças em suas regras, que foram tornando-o menos violento e possibilitando a diminuição do número de lesões (e da gravidade das mesmas) nas competições e treinamentos. Desta forma, o Karate no Brasil passou a se orientar por estas diretrizes e também modificou-se, como ocorreu nos demais países. Nesta perspectiva, o caráter desta prática relacionado inicialmente à defesa pessoal (arte marcial) sofreu uma ruptura através da mudança das regras de competição, buscando uma aproximação maior com o modelo de esporte olímpico.

Apesar destas mudanças, houve muita resistência e alguns elementos da prática tradicional do Karate permaneceram e foram fomentados em competições esportivas. No entanto, em janeiro de 2009, o Karate sofreu um golpe drástico em suas regras, pois certos elementos exigidos pelo COI foram implementados mesmo sob protesto dos defensores de uma prática mais tradicional.

O que vemos agora é um Karate de múltiplas faces, com organizações como a WUKO promovendo formas de competição mais semelhantes ao modelo antigo, a WKF com uma proposta que se aproxima do que é esperado pelo COI (principalemtne através do sensei Tom Morris, coordenador de arbitragem que vem trabalhando de forma inscansável para que o Karate se torne uma modalidade atraente ao grande público) e diversas organizações (tais como a Shotokai) que preferem não participar do 'mundo das competições', apoiados em razões históricas e de princípios totalmente reconhecíveis. Não podemos esquecer, também, da representação do karate-ka Lyoto Machida, o brasileiro que vem despertando o interesse de um segmento do público que vinha desacreditado do Karate: os espectadores e simpatizantes do vale-tudo.

O que não pode ser esquecido é que não há nada mais natural do que essa realidade que acabou resultando no Karate-Do dos dias atuais. O processo de construção da própria sociedade humana aponta para possibilidades de vermos os diversos fenômenos (dentre os quais as práticas esportivas ou atividades físicas não estão excluídas) de diferentes formas. Neste aspecto, ainda podemos ver que o Karate é tema de outros meios e mídias, como o cinema, a televisão, revistas em quadrinhos, desenhos animados, livros, contos, jogos digitais, caminhos de auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal (ou espiritual) e até do esporte. Ao invés de nos preocuparmos em brigar por qual 'Karate é o certo' chegou a hora de entedermos e admirarmos esse fenômeno riquíssimo culturalmente e socialmente que é a nossa arte.

Para aqueles interessados na história local, indico ainda a leitura do capítulo sobre a História o Karate no Brasil (redigido pelo presidente Edgar Ferraz e colaboradores), que traz muita coisa sobre o período de introdução da arte no nosso país, dados que podem ser complementados pelo livro do Shihan Yoshihide Shinzato, publicado pela On-line e pela bela obra do sensei Paulo Roberto Bartolo Filho intitulada 'Karate-Do: História Geral e no Brasil', da editora Realejo.

Encerramos aqui esta breve incursão na históia do Karate, sendo que venho desenvolvendo um estudo para levantar dados sobre a históira local da arte, mais especificamente do RS. Assim que os dados estiverem compilados estudaremos a possibilidade de postar o estudo aqui no blog. Fica também o convite a todos para enviarem-me materiais sobre a História do Karate no Brasil ou em seus Estados (outros que não sejam o RS) afinal, estamos dispostos a trabalhar nessa empreitada também. Interessados podem enviar-me materiais ou pedir o roteiro de entrevistas pelo e-mail tiago.frosi@yahoo.com.br.

Semana que vem: 'A Etiqueta no Karate-Do'

OSU!!!

Tiago Frosi

Partager

Faça um comentário!

(Opcional)

(Opcional)

error

Importante: comentários racistas, insultas, etc. são proibidos nesse site.
Caso um usuário preste queixa, usaremos o seu endereço IP (38.107.191.90) para se identificar     

Todos os comentários desse artigo:
Karate-Do: O 'Estado Atual' e a faceta Olímpica

  • Franklin mailto

    Dom 26 Jul 2009 03:06

    Parabéns pelo texto, a braços.

  • Lorran Luiz mailto

    Sáb 04 Jul 2009 03:59

    No dojo em que treino o foco é o karate desportivo. Porém não é só por causa disso que eu levo em minha cabeça que devo treinar só para competições. Não sei quanto aos outros que treinam comigo, mas pelo menos eu procuro treinar na maioria das vezes com um verdadeiro espírito de luta. Tento treinar individualmente o karate-do como um caminho do guerreiro.

    OSS!!!

  • Igor Vinícius mailto

    Qui 02 Jul 2009 16:13

    Eu certo dia conversei com minha amiga Fernanda Garcia, de Minas Gerais, sobre esse assunto e ainda fico em dúvida... é muito bom ter o reconhecimento como esporte olímpico, porém, por outro lado, não curto aquele lance de "Capacete, Peitoral", essas proteções deixam ( na minha Opinião ), o Karate frio, simplesmente pontuável... só luvas e prot. de pé e canela já bastavam... Bem, eu pratico o Karate Shotokan, mas tenho muita admiração pelo conceito Shotokai E.Ryu. Por mais que treine para sempre ser campeão, acredito que nossa arte está acima da mera busca pelas medalhas...

    OSS!